O Nosso Método Eficaz para Semear no Interior
Partilhamos o método que usamos para semear no interior de casa. Quais os acessórios, substrato e cuidados a ter para que a sementeira seja eficaz, simples, sustentável e económica.
No Inverno, e em boa verdade agora quase em todas as estações do ano devido à grande flutuação de temperaturas que ocorre, realizamos a sementeira no interior de casa.
É mais fácil de aceder em caso de chuva, de assegurar uma temperatura amena nos dias frios e boa humidade nos dias com temperaturas altas.
Tal como tivemos oportunidade de mencionar antes, vivemos atualmente num apartamento com duas varandas que queremos otimizar para um cultivo progressivamente mais auto-suficiente de ervas aromáticas e flores.

Assim, tirando partido das sementes que já temos em casa e juntando algumas novas aquisições, elaboramos o plano de sementeira para o ano corrente.
Com este documento conseguimos manter a sementeira organizada, fácil de pôr em prática e apta a lidar com imprevistos.
Se ainda não tiveram oportunidade de ler, conheçam aqui Como Planear uma Sementeira para Horta ou Jardim.
Semear não é complicado nem exige equipamento específico.
No nosso caso tiramos partido de alguns materiais reutilizados e de um suporte pré-existente.

Para semear no interior utilizamos:
- Recipientes com furos no fundo, reutilizados de embalagens de alimentos e que vão conter o substrato e germinar as sementes propriamente ditas, os furos foram feitos no fundo do recipiente com uma faca
- Um tabuleiro para conter água extra das regas, tiramos partido de uma estrutura antiga decorativa que inclui uma campânula cujo fundo tem altura suficiente para conter água
- Sementes biológicas com as espécies relativas ao mês de Janeiro
- Substrato de germinação e pá de apoio
- Acessórios para criar linhas e identificar as espécies semeadas, que na prática consistem em paus de gelado reutilizados
- Pulverizador e uma
- Campânula, que faz parte da estrutura mencionada acima, mas que pode ser qualquer outro acessório desde que deixe passar luz e seja fácil de manusear, o nosso não é de todo uma estufa perfeita mas cumpre a função.
No geral é necessário um recipiente para conter o solo e as sementes, que deve ter alguma altura e ventilação, um recipiente para conter água que escorra e outro que cubra o primeiro, cujo objetivo é criar um ambiente interior com temperatura amena, ideal para a germinação.
Ao longo do tempo já experimentamos semear um pouco em todo o lado e um pouco de todas as formas. Umas resultaram, outras não, mas ajudaram a tirar algumas conclusões.

1. Sobre o Substrato
Ou seja a terra que vamos colocar nos recipientes para germinar.
Pode ser de qualquer tipo. Atualmente utilizamos o substrato próprio para germinação, pois é mais económico.
Este tipo de substrato não possui praticamente fertilizante adicionado, que não é necessário nesta fase de desenvolvimento das plantas.
Toda a energia que precisam para germinar está contida na própria semente que será ativada quando as condições ideais se verificarem.
É importante compreender que este substrato não deve ser utilizado, sem fertilização extra, se pretenderem semear já em vasos com algum tamanho. Nesses casos recomendamos que optem por semear em substrato para o cultivo de hortícolas, pois como não irão transplantar com rapidez, os germinados ficariam sem nutrientes no caso de usarem o substrato de germinação.

2. Sobre as Sementes
Todas as sementes têm tamanhos diferentes e essa informação importa.
Sementes muito pequenas são difíceis de semear, pois a certa altura perdemos a noção de onde estão e para onde foram, preferencialmente se a sua cor for muito semelhante ao substrato.
Para semear sementes pequenas simplesmente criamos com as próprias sementes uma (ou mais) linhas de sementes e cobrimos, com cuidado, com o substrato circundante à área da linha.
Para semear sementes um pouco maiores, com um acessório criamos um socalco no substrato, não muito fundo, e depositamos com cuidado as sementes nesse espaço. Posteriormente utilizamos o substrato afastado para criar o socalco, para cobrir as sementes.
Relativamente ao espaçamento entre as sementes, somos cuidadosos, dando mais espaço, às sementes de maior dimensão. As pequenas, tentamos espalhar o melhor possível, evitando em qualquer caso que se sobreponham.

3. Sobre a Rega
A sementeira deve manter-se húmida, mas nunca encharcada, nem seca.
As sementes necessitam de humidade para germinar, contudo demasia humidade ou secura, pode transmitir a “mensagem” errada às sementes que optam dessa forma por não germinar.
Depois de muito experimentarmos chegamos à conclusão que o melhor método consiste num pulverizador.
Com este acessório é muito simples utilizar pouca água e prevenir que se regue em demasia, contudo também exige regas mais frequentes, principalmente nas estações quentes.
Se não tiverem um pulverizador, não precisam de comprar um, utilizem o regador normal, mas em vez de regarem o substrato, aconselhamos que encham o recipiente de contenção de água para que a mesma seja absorvida pelo substrato pelos furos. Neste caso é muito importante que, assim que a superfície do substrato esteja húmida, removam a água que ainda sobrar, pois não irá ser absorvida.
No caso do regador aconselhamos a não regar diretamente o substrato, pois as sementes são muito frágeis, e um jato de água, mesmo que cuidadoso, irá fazê-las desorganizar-se das linhas criadas, movimentar-se para espaços não cobertos e até sem substrato, o que as irá impedir de germinar. Com o pulverizador, ou a rega por absorção, tal não acontecerá.

4. Sobre o Local para Manter a Estufa
As sementes não apreciam nem temperaturas altas nem baixas, temperaturas amenas são ideais, daí que a sementeira no interior seja aconselhada nesta época do ano na maioria das saquetas de sementes.
Para alcançarmos essa temperatura a estufa que criamos deve manter-se em local ameno com exposição a luz solar indireta, por exemplo através de um cortinado, mas não luz solar direta, pois secará demasiado o substrato.
É importante ter em consideração que, em dias nublados, se existir essa facilidade, convém assegurar que a estufa não fica encoberta e recebe o máximo de luminosidade possível. Esta prática à partida será suficiente para manter a temperatura dentro da campânula amena.
Se não for suficiente, poderá ser necessário mover a estufa para um local mais quente ou, em regiões ou dias muito escuros, poderá ser necessário colocar luzes adicionais.
Cá em casa, movemos a estufa para espaços com menos ou mais luz, dependendo do clima, contudo até ao momento ainda não instalamos luzes de crescimento (que provavelmente acelerariam o germinar e o desenvolvimento dos germinados, contudo não temos conhecimento sobre o assunto que possamos partilhar, se o tiverem, partilhem connosco pois temos sempre vontade de aprender mais).

Na Prática Como Semeamos
Com os acessórios todos preparados, iniciamos então o processo de sementeira colocando uma camada de substrato de 4 a 5cm de altura no recipiente escolhido.
Neste caso, tendo em conta o espaço que temos na estufa, selecionamos três recipientes que posicionamos lado a lado.
De acordo com as sementes que selecionamos para Janeiro, temos cinco espécies para três recipientes, pelo que tivemos que orientar quantas linhas pretendíamos em cada recipiente.
Esta organização depende verdadeiramente da forma e tamanho do vosso recipiente, no entanto recomendamos que cumpram linhas inteiras da mesma espécie, ou pode tornar-se muito complicado compreender onde começa e acaba uma espécie e começa outra. Com o tempo começamos a perceber que espécies são logo pelas primeiras folhas, mas para quem começa a organização prévia é fundamental.

Na Prática Como Semeamos - Parte II
Espalhamos as sementes sob o substrato ou criamos linhas de alguns milímetros de profundidade, depositamos algumas sementes e cobrimos com o substrato levantado.
À medida que as linhas são criadas é fundamental ir identificando.
Utilizamos paus de gelado reutilizados e lápis, pois assim é fácil reutilizar a madeira, basta passar uma borracha e escrever novamente.
Terminada as sementes, pulverizamos água com suavidade em todos os recipientes.
Tal como mencionado acima, é importante que fique húmido mas não encharcado.
É importante ir verificando a humidade do substrato algumas vezes ao dia, por exemplo, de manhã e à noite. Em estações do ano muito quentes a sementeira pode secar a meio do dia, para evitar pode colocar um pouco de água no recipiente de contenção que, em conjugação com a campânula fechada, irá ajudar a manter um ambiente húmido no interior da estufa que será absorvido pelo substrato. Neste caso, é importante que quando chegarem a casa, removam a campânula para ventilar, ou irá criar-se demasiada humidade.

Assim que as sementes germinarem irão precisar de um pouco de luz solar direta para realizarem a devida fotossíntese, contudo evitem temperaturas muito altas e demasiadas horas de exposição, ou irão acabar com germinados secos ou queimados por excesso de luz solar e calor.
Algumas horas por dia de luminosidade de intensidade fraca a média são suficientes.
Quando as plantas tiverem desenvolvido as primeiras folhas e algum tamanho, estão prontas a transplantar para um vaso com substrato mais fertilizado.
Basta remover cuidadosamente cada pequena planta e depositá-la num vaso com camada de escoamento e substrato correto, exatamente como demonstramos anteriormente para as plantas de interior.


E aí está. O nosso método real e eficaz para semear plantas e alimentos no interior de casa.
É um processo com alguns passos mas esperamos que não tenham achado complicado e se sintam motivados a experimentar.
Mesmo que só tenham espaço para alguns vasos à janela, não desistam e escolham as ervas aromáticas que mais gostam e aventurem-se!
Nada é mais satisfatório do que colher aromáticas e pequenos alimentos dos vasos das nossas varandas.
Ainda hoje, após tantos anos, ainda nos surpreendemos com a sensação de alegria e de entusiasmo ao provar pela primeira vez no ano o que nós cuidamos desde semente.
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Conheçam também abaixo a versão em vídeo do nosso método real de sementeira no interior.